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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Garota Dos Olhos Castanhos I (Esquecendo De Sua Morada)

Do outro lado daquela porta havia um pedaço de menina esperando para ser recolhida. Ela se esqueceu do seu nome e se esqueceu do caminho que a levava de volta para casa. Eu encostava naquela porta e ouvia os murros que ela dava desesperadamente, ouvia os seus soluços que se misturavam com o barulho da chuva. Abri a porta e a deixei entrar. Ela se sentou no tapete perto da mesinha e me mostrou os pedaços de seu coração que ela carregava em suas mãos. A maquiagem escorria pelo seu rosto. Ela espalhou aqueles cacos pelo tapete e começou a encaixa-los uns nos outros, faltaram cacos, muitos cacos. Ela me disse que teria perdido a metade pelo caminho. Me sentei ao lado daquela garota e encarei sua face. Depois de alguns minutos eu pude perceber que aquele pedaço de carne, era eu. Então ali estava eu, jogada no tapete, me culpando pelos problemas do mundo, me escondendo das pessoas por dentro, me olhando no espelho e tendo vontade de arrebentar cada parte do que restava em mim. E por quantos meses eu sentia essa solidão, dois, talvez três? Eu me descabelava para as paredes, enfiava a minha cara no meio de uma almofada. Queria gritar, mas faltava o ar. Eu apenas sentia o sangue pulsando sobre as feridas de dentro, e ouvia o barulho dos ponteiros do relógio, cada pequeno barulho só me mostrava que era um segundo perdido da minha vida. Medo de sonhar, medo das pessoas, medo das coisas, medo da garota do espelho, medo do mundo. Eu sofri por amor, sofri por amizades, sofri por tudo, e no final, sofri por nada. Claro, isso uma hora ia acontecer, eu não sou grande o suficiente para poder guardar tanta magoa assim, aliás, de onde surgiu tanto magoa? Então eu larguei, larguei de mim, larguei de tudo. É enjoativo ficar aqui, em busca da felicidade, escrevendo textos idiotas, tentando entender o que se passa aqui por dentro. Enjoei dos mesmos rostos, das mesmas conversas, dos mesmos beijos, das mesmas risadas, enjoei da minha alma que no momento está perdida por aí. E, principalmente, eu enjoei do amor. Então, eu me entrego a dor. E é com lágrimas que eu me defino uma garota fraca, por ter treze anos e sofrer. Por saber ganhar e ter perdido. Essa sou eu, uma criança fraca por dentro, e agora por fora.

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