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segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Garota Dos Olhos Castanhos III ( A Ferida Que Não Se Fecha)

O teto estava no chão, o chão no teto, e as lágrimas se enfiltrando naquele teto que virou chão. E eu, de cabeça para baixo. Vale a pena lutar? E se vale, vale pelo o que? Novamente uma garota chorava nos cantos da minha casa. Como de costume, eu apenas observava. Me questionei por quantas vezes ela chorava pela mesma ferida? Não conseguia esquecer o passado, o coração dela não conseguia. E como tudo a decepcionava, as pessoas, as palavras, até mesmo os objetos inúteis. Os cabelos continuavam soltos, e era apenas o silêncio que saía de dentro da sua boca. Ela necessitava era mesmo de ninguém, sim. Eu sabia que ela estava no momento mais emocionante da sua vida, mais um deles. Eu sei o quanto ela odeia todos eles, mas ela nunca diz não quando eles chegam. Ela queria somente amar a sí própria, e se desentupir dos apegos que se apegaram nas pessoas. E o amor? O amor que se dane, ela queria mesmo era a paz, era o silêncio. Esvaziar a mente de todos os acertos e erros. Ela queria mesmo era nada, era ninguém. Porque ninguém nunca esteve de verdade com ela mesmo. Ela nunca esteve comigo, e eu nunca estive com ela. E de que adianta eu ficar aqui gritando com todo mundo, suplicando por este tal sôssego? Adianta, caros? Eu pedir cinco, ou talvez dez minutos de esquecimento, adianta? Adianta eu pedir um pouco de respeito com o pouco de sentimento que eu tenho? Que ela tem? Já era banal, é banal. Logo ela estaria bem, logo eu sorriria de novo. Aquilo no chão era apenas ela, era eu.

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